Estoure sua bolha!

As redes sociais nem estão no mundo há tanto tempo, mas aposto que você não conseguiria viver sem elas. Tá, tudo bem… Conseguir até conseguiria, mas nos primeiros dias ia rolar aquele vazio no peito. Admite, querido. Ou querida. Elas fazem parte das nossas vidas, ainda mais se você tem um smartphone ao alcance da mão.

Tem gente que diz “Ai, eu nem entro muito no Facebook. Até desinstalei o aplicativo no celular…”, mas sabe de todos os bafos que a rede do Mark nos conta. Curioso, né? Virada de olho para essas pessoas.

Quem para hoje em dia para ler um jornal de cabo a rabo? E quem se sente informado a partir da timeline do Facebook? Muitas manchetes, pouco conteúdo e algum cuidado para descobrir se uma chamada bizarra não é invenção do Sensacionalista ou é só mais um dia no Brasil real.

A moda agora é dizer que as redes sociais criam bolhas de conteúdo. Por exemplo: se o seu voto tende a ser em partidos de esquerda, é provável que você curta páginas de Facebook de políticos de esquerda e receba informações sobre eles, geralmente produzidas por eles mesmo. Isso é bom por um lado, já que assim você consegue acompanhar se o parlamentar que elegeu está desempenhando um bom papel. Por outro lado, você começa a receber informações unilaterais, longe de serem imparciais. Ao mesmo tempo, você decide, ainda que não racionalmente, não receber notícias sobre quem – teoricamente – faz oposição a eles. E vamos combinar que, pelo menos aqui no Brasil, esquerda e direita são farinha do mesmo saco.

Ou seja, é bem cômodo só ler o que queremos ler, né não? Lindo mundo de Alice. A internet tem o maravilhoso poder de colocar ao nosso dispor uma infinidade de informações e pontos de vista, mas as redes sociais estão limitando esse poder.

Além disso, parece que as redes sociais obrigam as pessoas a ter opinião sobre todo e qualquer assunto. Basta dois cliques para ver gente que não acredita em vacina, que acha que a Terra é plana e que tem certeza de que o homem nunca pisou na lua. E a veemência deles me assusta.

Ninguém precisa saber de tudo, graças a Deus! Mas também não custa nada estudar um pouquinho sobre algo do qual a gente não conhece nada. Conhecimento é grátis, tem na internet, basta procurar nos lugares certos.

Disseminar ignorância é um perigo… Acaba elegendo Bolsonaros. Cruz credo! Então, da próxima vez que pular algo na sua timeline e você não fizer a mínima ideia do assunto, deixa quieto. Rola a tela, vê um vídeo de um gatinho se espreguiçando. E depois vai dar uma pesquisada no tal assunto. Com conhecimento, você ganha, eu ganho e o mundo – e o mundo das redes sociais – se torna um lugar melhor.



Marcela Capobianco

Marcela é jornalista e atriz. Gostaria de ter vivido os anos 60 e 70 mas muda de ideia rapidamente quando lembra que não existiam WhatsApp nem Instagram. Tagarela, boa de papo e de copo, certa de que qualquer fato corriqueiro pode se transformar num texto saboroso. Marcela escreve às quintas.


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