Meu Google, minha vida

“Qual é o nome daquele ator baixinho de ‘Tudo por uma esmeralda’ que fez uma participação como stripper em Friends?”. “O Tony Tornado fez ‘Caça Talentos’ ou ‘Bambuluá?”. “Onde foi que o Freddie Mercury nasceu mesmo?”. Danny DeVito, isso!! Caça Talentos, ele fazia o Avalanche. Sultanato de Zanzibar, hoje Tanzânia. Eu sei todas essas respostas, mas em breve vou esquecê-las.  

Eu estou viciada em Google. E não é besteira. Estou consumida por essa mania. Não consigo ficar cinco segundos com alguma dúvida ou um esquecimento básico desse tipo. Logo já saco o celular e pesquiso. O alívio dura 5 segundos. E logo depois é substituído por outra ansiedade aleatória e passageira. O meu histórico de pesquisa é bizarro! 

A água com gás é para ser tomada antes ou depois do café expresso? Em que mês florescem as cerejeiras no Japão? Por onde anda o Max Fivelinhas? Quantos números tem a escala de furacões? Por que a Marie de Breaking Bad só usa roxo? 

O problema é que às vezes as dúvidas surgem durante uma viagem em que não tenho acesso ao 3G, no meio de uma sessão de cinema… Que problemão, né? E eu não sossego. Até faço um esforço para estimular a mente, tentando lembrar a todo custo. Mas é difícil…

Tenho plena consciência de que sou viciada em informação. Em grande parte, informação inútil, já que ninguém morre ao não conseguir lembrar o nome do Danny DeVito. 

Meu namorado também desenvolveu o hábito e, agora, nossas conversas são constantemente entremeadas por conferidas no Google. Casal nerd.

A verdade é que hoje em dia a gente não pode dizer “não sei”, né? É quase uma afronta. Tá proibido. Mas essa ansiedade nunca tem fim. Eu jamais vou deixar de ter dúvidas corriqueiras. Parece que, quanto mais eu pesquiso, mais curiosidade eu vou ter.

É um ciclo, e eu acho que não consigo me livrar dele. A tendência é piorar? Ou esperar por um futuro distópico estilo “Black Mirror” em que terei os bancos de dados do Google implantados no meu cérebro. Mal posso esperar.



Marcela Capobianco

Marcela é jornalista e atriz. Gostaria de ter vivido os anos 60 e 70 mas muda de ideia rapidamente quando lembra que não existiam WhatsApp nem Instagram. Tagarela, boa de papo e de copo, certa de que qualquer fato corriqueiro pode se transformar num texto saboroso. Marcela escreve às quintas.


'Meu Google, minha vida' tem 3 comentários

  1. 14 de setembro de 2017 @ 21:57 Carlos souza Pinto

    O problema maior vai ser qdo existirem dúvidas que o Google não tem resposta, como por exemplo, como era mesmo o nome do meu avô materno? aí danou-se

    Responder

  2. 15 de setembro de 2017 @ 00:12 carmen salinas

    divertido e inteligente.

    Responder

  3. 22 de setembro de 2017 @ 15:31 Marcia Flores Queima

    Eu amei pq descobri que em qualquer idade a memória falha e as duvidas continuam pela vida afora.
    Bj

    Responder


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